Getulinho: A mulher como foco no mês temático

Como parte da programação do Mês da Mulher, o Hospital Getúlio Vargas Filho (Getulinho), convocou nesta quarta (18) suas profissionais de saúde para palestras envolvendo proteção contra agressões e os direitos das mulheres.

Primeira das convidadas, Pamela Console, psicóloga da CEAM – Centro Especializado em Atendimento à Mulher (R. Cônsul Francisco Cruz, 49 – Centro) trouxe a problemática das violências contra a mulher. Segundo a Lei Maria da Penha, são 5 os tipos de violência: física, patrimonial, psicológica, sexual e moral.

Pamela alertou sobre os problemas financeiros que muitas mulheres separadas passam após as agressões. A Prefeitura de Niterói oferece cursos profissionalizantes e o Espaço Empreender Mulher (Av. Ernani do Amaral Peixoto, 286 – 2º andar, Centro).

Enquanto psicóloga, Pamela falou sobre a preocupação com a construção da autoestima e que a violência muitas vezes é escalonada (começa com pequenas ofensas até chegar na agressão física de fato.

Pamela lembrou do recém-criado app SOS Mulher, que também recebe denúncias para além do tradicional 180 – em uma parceria com a Guarda Municipal de Niterói.

Na segunda palestra, Raquel Vivas (conselheira da Secretária Municipal de Direitos Humanos de Niterói) alertou sobre a necessidade de perceber os sinais de violência desde cedo e da responsabilidade dos pais criarem filhos que não reproduzam práticas violentas. Segundo ela, a comunicação com os filhos deve ser imperativa, os limites devem ser verbais e não por agressões. É na forma como se trata os filhos, que se pode ver refletido o trato nas relações amorosas. “E é bom lembrar que amor não é ausência de limites – acompanhar seus filhos na internet não é invasão, é cuidado”, afirmou.

Raquel realizou uma dinâmica em que todas as mulheres receberam papéis em branco e tinham que amassá-los à medida que ouviam frases como “não quero te bater, mas você está me obrigando”, “a culpa é sua” ou “não devia ter vestido essa roupa” – portanto, frases violentas que vão se tornando comuns em um relacionamento abusivo.

Por fim, Paola Paiva trouxe um discurso sobre os métodos contraceptivos, como o recém adotado pelo SUS, o Implanon, seguro e disponível na unidade de saúde mais próxima da sua residência.

Como forma de análise do evento, Paola fez a seguinte avaliação: “foi um momento muito construtivo. Foi enriquecedor não só para as usuárias que estavam aqui, como para os profissionais presentes”. Para ela, temos que cada vez mais retirar os estigmas de que a mulher só deve procurar uma unidade de saúde para ver o seu aparelho reprodutor. “A unidade de saúde deve ver a pessoa como um todo”, afirmou ela que já estagiou no Getulinho em 2024.

Também avaliando o dia de atividades, a diretora técnica-assistencial do hospital, Pâmella Costa, comemorou: “Foi um espaço de troca muito interessante. A gente pode falar do que a gente já viveu lá atrás e o que a gente está ainda buscando no mundo – mais dignidade, mais respeito, mais igualdade”. Ela ressaltou que no Getulinho a maioria no corpo de trabalho é feminina. “A gente tem feito toda política de acolhimento não só para as funcionárias, mas também para as acompanhantes dos pacientes”, afirmou.

À tarde, diversas atividades de bem-estar foram ofertadas, como o spa dos pés por Ana Castedo; massagem por Jorge Maciel e tranças pelo coletivo Namíbia Nagô Nacional de Trancistas (Mônica Bento, Solange Moura, Crislaine dos Santos e Marcelle Klimkowski).